CESVI Brasil - Centro de Experimentação e Segurança Viária

Nos EUA, cresce o número de acidentes onde maconha é legalizada

Pesquisas comparam números entre estados onde a droga é legalizada e onde não é.

22/01/2019
Estudos do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) e do Highway Loss Data Institute (HLDI) apontam que o número de acidentes de trânsito aumentou 6% nos estados do Colorado, Nevada, Oregon e Washington, se comparado com estados vizinhos onde o uso recreativo da maconha não foi legalizado. Os estudos foram apresentados num encontro sobre combate à prática de dirigir sob influência de álcool e drogas, que contou com especialistas em segurança viária e agentes da lei. 

Para chegar a tal resultado, o HLDI analisou o número de acionamentos de seguro por causa de colisões após o início da venda de maconha para uso recreativo e concluiu que os estados que legalizaram a droga tiveram um aumento de 6% no uso do seguro, se comparado aos estados vizinhos de Idaho, Montana, Utah e Wyoming, que ainda não legalizaram o uso da droga. Colisões são a maior causa de acionamento de seguros nos EUA.

Um outro estudo, do IIHS, comparou o número de acidentes reportados pela polícia, antes e depois da liberação da venda da droga. O IIHS estimou um aumento de 5,2% no número de registros de acidentes nos estados que passaram a vender a droga para uso recreativo. Os números variam de estado pra estado, mas são consistentes com o aumento de 6% apresentado pelo HLDI.

Dirigir sob efeito da droga é ilegal em todos os 50 estados americanos, mas determinar a incapacidade do motorista em testes é um desafio. A quantidade de THC, principal psicoativo da maconha, no sangue de uma pessoa não indica precisamente se esta está incapacitada a dirigir, uma vez que usuários frequentes podem apresentar números significativos de THC no sangue até semanas após terem utilizado a droga. Isolar os efeitos específicos da droga no usuário também é uma dificuldade.

A influência da maconha nos acidentes ainda não é tão clara como a do álcool, uma vez que muitos estados não incluem informações consistentes sobre motoristas que utilizaram a droga envolvidos em colisões, além de condutores serem mais testados para o uso de álcool do que para outras drogas. 
Voltar